Recibos Verdes ou Empresa Unipessoal?
Compara quanto fica mesmo no teu bolso nas duas estruturas — IRS, Segurança Social, IRC e dividendos, num só cálculo.
Recibos Verdes ou Empresa?
40.000 € de rendimento, 4.000 € de despesas reais — a diferença está em quem deduz o quê.
Recibos verdes ou empresa unipessoal: resposta rápida
Não há um valor de rendimento a partir do qual a empresa passa a compensar sempre — depende sobretudo das tuas despesas reais. Recibos verdes (regime simplificado) já presume uma percentagem de despesas conforme a atividade (15%, 35% ou 75%); a empresa só ganha vantagem clara quando as despesas reais superam essa presunção, ou quando o lucro é alto o suficiente para a distribuição por pro-labore e dividendos compensar os custos fixos próprios de uma sociedade (contabilidade organizada, IRC, Segurança Social do sócio-gerente).
// começa por aqui
Compara as duas estruturas
Com estes valores, Recibos Verdes tende a deixar-te mais dinheiro no bolso — uma diferença estimada de 6889,39 € líquidos por ano.
Recibos Verdes
Trabalhador independente, regime simplificado
- IRS estimado
- 2171,13 €
- Segurança Social
- 5992,00 €
- Despesas reais
- 4000,00 €
- Líquido anual estimado
- 27 836,87 €
Empresa Unipessoal
Sociedade Unipessoal por Quotas, contabilidade organizada
- IRC (empresa)
- 3933,54 €
- TSU sobre pro-labore (empresa + sócio)
- 2239,83 €
- IRS (pro-labore + dividendos)
- 7079,14 €
- Contabilidade + despesas reais
- 5800,00 €
- Líquido anual estimado
- 20 947,48 €
Como chegámos aqui
Recibos Verdes
Empresa Unipessoal
O que este resultado significa
Recibos verdes tende a compensar mais quando as despesas reais são baixas face ao que o coeficiente já presume — a empresa só ganha vantagem fiscal com despesas reais altas ou lucros muito elevados, porque é a única das duas que os deduz ao imposto. Não é uma questão só de “faturar muito”: sobe o rendimento e mantém-se a mesma conclusão, a não ser que as despesas também subam.
O que acontece agora
Se a empresa compensar, o próximo passo é perceber os custos de arrancar — vê o Simulador de Custos de Constituição — e confirmar se a tua atividade cai no regime de transparência fiscal, que muda esta conta. Se recibos verdes compensar, confirma o teu regime simplificado e a tua contribuição para a Segurança Social.
Modelo simplificado: assume que o sócio-gerente recebe só o pro-labore mínimo exigido pela Segurança Social (1 IAS/mês) e que todo o lucro restante, depois de IRC, é distribuído como dividendos no mesmo ano — na prática pode fazer mais sentido reter lucro na empresa ou pagar um pro-labore mais alto. Não inclui derrama municipal, tributações autónomas, benefícios fiscais nem custos de constituição. Confirme sempre com um contabilista certificado antes de decidir.
Valores de referência 2026 — confirme sempre nas fontes oficiais antes de decidir.
“A empresa compensa sempre a partir de um certo rendimento, tipo 200 mil euros por ano.”
Não há esse limite mágico. Com despesas reais baixas, recibos verdes pode continuar a compensar mesmo a rendimentos elevados — o coeficiente do regime simplificado protege uma fatia grande do rendimento da tributação. O que muda a conta é a relação entre despesas reais e rendimento, não o rendimento isolado.
De onde vêm estes valores?
Coeficientes, taxas de IRS/IRC e regras de Segurança Social confirmados no Portal das Finanças e na Segurança Social Direta. Vê todas as fontes ao fundo da página.
O que este comparador não sabe
Assume que distribuis todo o lucro da empresa como dividendos no mesmo ano e que o sócio-gerente só recebe o pro-labore mínimo. Não tem em conta a transparência fiscal, nem outros rendimentos, quociente familiar ou benefícios fiscais.
Vê as regras todas// referência
Regras usadas no comparador
As taxas e limites por trás do cálculo acima, num só lugar para quem só quer consultar.
| Situação | Valor / regra |
|---|---|
| Coeficiente do regime simplificado (por atividade) | 15% / 75% / 35% |
| Taxa de Segurança Social do trabalhador independente | 21,4% |
| IRC — taxa reduzida PME (até 50.000 € de matéria coletável) | 15% |
| IRC — taxa geral (acima de 50.000 €) | 19% |
| Base mínima de Segurança Social do sócio-gerente | 1 IAS/mês (537,13 €) |
| Taxa de IRS sobre dividendos distribuídos | 28% |
Custo de contabilidade organizada estimado entre 100,00 € e 200,00 €/mês — mercado livre, sem tabela oficial. Confirma sempre a tua situação concreta no Portal das Finanças ou com um contabilista certificado.
// importa saber
Erros comuns
A empresa compensa sempre a partir de um certo rendimento, tipo 200 mil euros por ano.
Não há um limite de rendimento mágico — depende sobretudo da relação entre despesas reais e o que o regime simplificado já presume. Com despesas baixas, recibos verdes pode continuar a compensar mesmo a rendimentos altos, porque o coeficiente do regime simplificado protege uma fatia grande do rendimento da tributação; com despesas altas, a empresa pode compensar mesmo a rendimentos mais modestos.
Só recibos verdes tem de pagar Segurança Social — numa empresa, isso é opcional.
Um sócio-gerente é sempre membro de órgão estatutário e tem sempre uma base mínima obrigatória de contribuição (1 IAS/mês), mesmo sem receber pro-labore. A empresa não livra ninguém da Segurança Social — só muda a forma como é calculada.
O lucro da empresa é logo meu, assim que a empresa fatura.
O lucro fica na empresa até seres tu a decidir tirá-lo — como pro-labore (sujeito a TSU e IRS) ou como dividendos (sujeitos a IRS à taxa de 28%). Até esse momento, é dinheiro da empresa, não teu.
// dúvidas rápidas
Perguntas frequentes
A partir de que rendimento compensa abrir empresa?
Não é só uma questão de rendimento — é sobretudo uma questão de quanto gastas de verdade. O regime simplificado já presume uma percentagem de despesas (o coeficiente), por isso só a empresa ganha vantagem clara quando as tuas despesas reais são altas o suficiente para valer a pena deduzi-las ao imposto, ou quando o lucro é tão grande que a distribuição por várias vias (pro-labore + dividendos) compensa. Sobe o rendimento na calculadora acima mantendo as despesas baixas e vês a mesma conclusão manter-se — o que muda o resultado é a relação entre despesas reais e rendimento, não o rendimento isolado.
Este cálculo já tem em conta a isenção do primeiro ano?
Não — de propósito. Os benefícios do primeiro e segundo ano (isenção de Segurança Social, redução do coeficiente de IRS) aplicam-se de forma semelhante a quem começa em qualquer das duas estruturas, por isso não mudam qual delas compensa mais a prazo — só adiam a decisão. Para veres esses benefícios em detalhe, consulta O Primeiro Ano como Trabalhador Independente.
Porque é que a empresa também tem de pagar Segurança Social pelo sócio?
Um sócio-gerente é sempre considerado membro de órgão estatutário para a Segurança Social — mesmo sem receber pro-labore, há uma base de incidência mínima obrigatória (1 IAS/mês, 537,13 € em 2026), sujeita à mesma TSU de 34,75% de um trabalhador comum (23,75% a cargo da empresa, 11% a cargo do sócio). É um custo que passa despercebido a muita gente que assume que só recibos verdes tem Segurança Social a pagar.
Posso não distribuir todo o lucro da empresa como dividendos?
Sim, e é frequente reter lucro na empresa (para investir, criar reserva, ou distribuir só noutro ano). Este simulador assume distribuição total no mesmo ano só para tornar a comparação direta com o que fica no teu bolso — se retiveres lucro, o teu líquido pessoal desse ano desce, mas o dinheiro continua a existir, só que dentro da empresa, não na tua conta pessoal.
E se a minha unipessoal cair em transparência fiscal?
Se a tua sociedade for uma "sociedade de profissionais" nos termos do artigo 6º do Código do IRC, o lucro é imputado diretamente a ti e tributado como se fosse rendimento pessoal — desaparece a vantagem de tributar em IRC e distribuir depois. Nesse caso, esta comparação deixa de se aplicar da forma como está desenhada: confirma sempre este enquadramento antes de decidir com base só neste cálculo.
Que despesas devo pôr na calculadora?
As despesas reais e recorrentes do teu negócio — equipamento, software, subcontratação, deslocações, espaço de trabalho, entre outras — não a percentagem que o regime simplificado presume. É a diferença entre o que gastas de verdade e o que o coeficiente já desconta automaticamente que determina se vale a pena mudar de estrutura.
// definições
Recibos verdes ou empresa: definições
- recibo verderecibo verdeO nome comum do recibo eletrónico que um trabalhador independente (rendimento da categoria B) emite através do Portal das Finanças para documentar um serviço prestado ou bem vendido — é neste documento que se indica a taxa de retenção na fonte aplicável, quando existe.Ver mais no glossário →
- Fatura-recibo eletrónica emitida por um trabalhador independente no Portal das Finanças — o documento que comprova o rendimento da categoria B.
- pro-laborepro-laboreA remuneração que o sócio-gerente de uma sociedade recebe pelo seu trabalho de gestão — tributada como salário (categoria A de IRS) e sujeita a TSU, tal como o salário de qualquer trabalhador por conta de outrem.Ver mais no glossário →
- A remuneração do sócio-gerente pelo seu trabalho de gestão — tributada como salário e sujeita a TSU, tal como o de qualquer trabalhador por conta de outrem.
- dividendosdividendosA parte do lucro de uma sociedade, já tributado em IRC, que é distribuída aos sócios. Para uma pessoa singular residente, são tributados a uma taxa liberatória de 28% de IRS (categoria E), diretamente na fonte.Ver mais no glossário →
- A parte do lucro já tributado em IRC que é distribuída aos sócios — tributada à parte, a 28% de IRS, quando o sócio é uma pessoa singular residente.
- Sócio-gerente
- Quem gere uma sociedade da qual é também sócio — para a Segurança Social, é sempre membro de órgão estatutário, com uma base de contribuição mínima obrigatória mesmo sem remuneração.
// a seguir
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